ÍMÃ - Grupo Corpo

Um caminho na contramão dos espetáculos anteriores
Uma dança de luzes coloridas


A música, a forma de movimentação dos bailarinos, o figurino e a iluminação deixam Ímã, espetáculo da companhia de dança mineira, mais "ensolarado", como diz o coreógrafo Rodrigo Pederneiras.
Há uma valorização do trabalho individual de cada bailarino, que é evidenciado por um cenário feito apenas de luzes e, ainda, uma movimentação cênica com muitos solos e duos.
No último espetáculo, Breu, os bailarinos usavam roupas escuras, dançavam no chão e quase não havia luz. A idéia era tratar da violência. A mesma densidade caracterizou a apresentação Onqotô, que na linguagem popular de Minas Gerais significa "Onde é que eu estou?". Os dançarinos moviam-se ao som de músicas com letras que questionavam a existência humana.
O tom pesado dos espetáculos passados agora abre espaço para a leveza. "Talvez seja o trabalho mais impessoal que já fizemos; uma tentativa de não trazer sentimento para o palco", explica o coreógrafo Rodrigo Pederneiras, que começou a pensar na apresentação quando Paulo Pederneiras, diretor artístico do Grupo Corpo, emprestou-lhe um cd do grupo carioca + 2, trio composto por Domenico, Kassin e Moreno, que mistura experimentalismo com música eletrônica. Logo, o coreógrafo se apaixonou pela música e pediu para que os integrantes do trio fizessem uma trilha sonora de 40 minutos, e que fosse "uma coisa bem pra cima", como disse Rodrigo.

Com a trilha sonora pronta inspirou-se numa crônica de Roberto Damatta, que falava sobre a polaridade das relações humanas. Daí surgiu a imagem de um ímã, título do espetáculo.
"Eu gosto muito da idéia do imã, há uma dependência, os opostos se atraem", diz. "Não falo de amor ou ódio, não quis levar isso para as relações humanas", comenta o coreógrafo contando que a intenção do espetáculo é mostrar, através dos corpos dos bailarinos, a atração e a repulsão, que são as bases da polaridade, sem falar de sentimentos.
Os dançarinos começam no chão do palco, mas quando saem dele não voltam mais. "Isso foi proposital, pois o Breu (o balé anterior) é todo feito no chão. Desta vez, eu queria tirar os bailarinos de lá", conta Rodrigo, que tinha a intenção de fazer um espetáculo alegre. E deve ser esse o sentimento que se tem ao contemplar bailarinos voando no palco, iluminados por milhares de cores que se alteram lentamente, conforme o movimento dos corpos.

Assista ao vídeo de Breu:
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FONTE:revistacult.uol.com.br - Júlia Alquéres, em 04/08/2009

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