Gênio da comédia grega
Lisístrata: a guerra do sexo é uma das peças de Aristófanes antibélicas. Um dos motivos de sua criação foi a irritação de Aristófanes com a guerra que enfraquecia Atenas e Esparta, bem como com a morte inútil de muitos homens. Ele mostra em sua obra um protesto irreverente, abusando do deboche e da licenciosidade. A ação da comédia, bastante conhecida, desenvolve-se a partir de um plano idealizado por Lisístrata, personagem central, para acabar com as desgraças da Grécia. Ela simplesmente convence as mulheres de Atenas e de Esparta a não mais dormirem com seus maridos, a menos que assinem um tratado de paz. A situação evidentemente gera desdobramentos cômicos, que Aristófanes explora com inegável competência. Vale mencionar, por exemplo, a excitação de algumas mulheres que não suportam o jejum e tentam furar a greve, ou ainda a cena que Mirrina alimenta aos poucos a excitação do marido Cinésia e o abandona quando estão prestes a consumar o ato sexual. Um dos pontos altos da peça, no entanto, esta na carregada preciosidade das cenas e dos diálogos em que os homens surgem com os falos eretos, desesperados com a incômoda situação. Seguramente não há, na literatura teatral, peça em que os senhores das guerras de todos os tempos tenham sido satirizados de maneira mais contundente.
Lisístrata, na verdade é uma sátira de cunho político, inspirada pelo profundo pessimismo deste importante comediógrafo grego, em relação as instituições e ao próprio ser humano. Em termos mais precisos Aristófanes desencantou-se principalmente com a deteriorização de Atenas, com a corrupção que corroeu a democracia grega após a morte de Péricles e com as atitudes de políticos inescrupulosos. 












